Dizem os escritores que falar de amor é um dos temas mais difíceis que existe. Depois dos clássicos franceses, como Stendhal, Proust e Zola, não haveria mais o que dizer. No entanto, histórias de amor continuam existindo, mais e mais a cada dia. Em diferentes lugares e entre diferentes pessoas.
Poderia então existir uma história de amor entre uma pessoa e um objeto? Os apaixonados por carro afirmam que sim. Seus carros são suas vidas e suas vidas são seus carros.
Sendo assim, por que não ficar marcado por algum detalhe de um carro? Os detalhes, sobretudo os cheiros, são normalmente vinculados às lembranças por uma questão fisioneurológica.
Esse foi o caso do William e do seu Fusca ARY-8565.
Em 2007, William saiu da sua casa, pegou um ônibus e foi até Campo Largo, onde tinha visto um Fusca para vender. A ex-proprietária era uma “véia”, nas palavras de William. Assim que viu o Fusca, não ficou convencido. Aliás, até daria para dizer que não gostou muito dele. Mas como já tinha ido até lá, resolveu não perder a viagem e deu uma olhada geral no carro.
Abriu o capô, inspecionou o motor, averiguou o interior… E pediu para dar a partida. Queria ver se o carro estava funcionando. Pôs a chave na ignição e ligou o carro. Para testar o velho motor, começou a acelerar e acelerar e acelerar…
Tanto acelerou que ficou com o cheiro do Fusca na camisa. Enquanto conversava com a “véia” sobre o carro e condições de pagamento, foi sentindo o cheiro que ficou impregnado na sua camisa. Aquilo agiu sobre ele de maneira única.
Não bastou muito para que o cheiro o convencesse de que aquele Fusca precisava ser seu. Uma vez decidido, a compra se deu quase no ato!
Já com o carro, que estava em condições duvidosas de preservação, pegou a estrada para voltar. Apesar de o pai de William ser mecânico, o ARY-8565 foi o primeiro Fusca que ele dirigiu na vida. Aliás, enquanto retornava, foi pensando que ele próprio poderia arrumar o carro, que não precisaria da ajuda de seu pai.
Quando chegou em casa, estacionou o carro e tirou a chave. Só que o Fusca não desligou. Continuou funcionando mesmo sem a chave na ignição! Tanto tempo estava parado que o motor desaprendeu a desligar.
Desde então o Fusquinha virou seu xodó…
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