História da Sheila

A partir de hoje você passa a conferir as melhores histórias da promoção “Minha paixão pelo Fusca dá um livro”. O primeiro lugar do concurso cultural foi para Sheila Stofela, confira abaixo a sua história.

“Pegando fogo

Quando comprei o fusca há alguns anos trás, não imaginava as confusões que ele iria me colocar.
Comprei-o no meio da semana, e me passaram que foi feita uma bela revisão e que estava tudo inteirinho, mas não levei o meu mecânico para avaliá-lo no dia da compra. Na sexta-feira da mesma semana lavei o fusca, calibrei os pneus, troquei óleo, coloquei combustível… O carro estava pronto para rodar.

No sábado fui cedinho com ele para o HSBC usando a Av. Pres. Wenceslau Braz.  Lá pelas tantas, senti um cheiro de queimado, e vi pelo retrovisor do fusca um ônibus bem velho, andando meio torto, e na hora pensei comigo: “como é que pode, os caras não dão mesmo manutenção nos veículos, deviam tirar estas carroças das ruas”. E o cheiro de queimado aumentava e eu andava mais com o fusca, e o ônibus se aproximava mais. Comecei a me irritar…

Algumas quadras depois, um carro importado ficou emparelhado e me fez um monte de sinal, abri a janela e o rapaz do banco do passageiro me disse: “moça seu carro está pegando fogo!”.

Na hora parei o fusca, peguei o extintor e corri para trás. O pessoal do importado fez a mesma coisa.

Quando consegui abrir o capô, recebi toda aquela fumaça preta. O motor havia estourado e vazou óleo por tudo e, em contato com o cano de escape, criava pequenas labaredinhas. Mais do que depressa tasquei o extintor junto com o rapaz do carro importado.

Porém como eu não queria deixar o fusca no meio da avenida, resolvi que iria chegar ao banco com ele. Então a cada três quadras eu parava o fusca e ficava abanando a traseira com aqueles protetores de sol que a gente coloca no vidro dianteiro, e várias vezes pessoas de outros carros paravam para ajudar.

Troquei duas vezes o extintor nos postos de combustível. Mas meu fusca agüentou e chegou ao banco como um herói pós-guerra.

Cheguei ao banco com um rastro preto atrás. O segurança do banco me ajudou a apagar novamente as labaredinhas, deixei o fusca aberto dentro do pátio do HSBC do lado de um monte de carros importados. A essa altura a tampa traseira do fusca estava torrada, bem preta e um cheiro horrível.

Quando entrei no setor para trabalhar todo mundo me olhava estranho, pois eu estava cheirando queimado. E quando contei a história foi um riso só do pessoal, mas ninguém conseguia ficar do meu lado, o cheiro era muito forte.

Na hora de ir embora do banco liguei para meu mecânico, e o mesmo estava viajando Como eu não queria deixar o fusca ali jogado no pátio, resolvi que ia tentar chegar em casa com ele.
Fui num posto pertinho do HSBC, troquei meu extintor e comprei mais um. Segui então pra casa (no boqueirão), e a cada três ou quatro quadras eu parava o fusca, corria para abanar ele.

Acho que levei quase duas horas para chegar em casa (normalmente levo 15 minutos de carro). Mais não deixei o meu “Lindinho” jogado na rua.

Depois fiz a loja que me vendeu o fusca, pagar um motor novinho, e deste então com fogo no motor, não tive mais problemas….”

Fusca após a reforma

Fusca após a reforma

Deixe um comentário