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O Feioso?

sexta-feira, 17 de julho de 2009

A primeira coisa que Jaime Pellanda fez foi confessar: “Estou fazendo ele para o meu filho!”. Esse “ele” se refere a um carro cor azul armador todo equipado, com peças de primeira linha, tudo em lata, espelho importado, painel especialmente projetado e interior em couro.

Assim pela descrição, até se pode pensar que estejamos falando de um carro importado, mas não. Estamos falando de um Fusca 78 que, quando adquirido, não valia mais R$1.000,00. Hoje em dia, melhor nem falar…

Segundo Jaime, o carro era tão “estranho” que o chamavam de Feioso, como acabou ficando conhecido depois. Agora, de feioso o carro não tem nada. Tudo feito com primor e esmero.

O futuro presente para o filho

O futuro presente para o filho

Como pode ser visto nas imagens acima, Jaime não se acanhou, durante os dois anos de transformação, em modificar o carro segundo sua vontade. De quebra incrementou-o com rodas especiais, como mostra o detalhe:

A roda do Feioso

A roda do Feioso

Sem falar, é claro, na lataria. Tão polida estava que até é possível ver o reflexo do fotógrafo nela!

A única dúvida que fica é se depois o Jaime vai querer mesmo se separar dessa máquina…

Observação

E não esquecer que neste fim de semana tem o 1° Encontro de Clubes e Apaixonados por Volkswagen. O evento vai das 10h às 22h e será realizado no Shopping Total.

O Fusca era só o pó da gaita

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Às 3h da manhã Victor Gutman e seu companheiro de viagem acordaram para preparar as últimas coisas antes de botar o pé na estrada, de Londrina rumo a Curitiba, com seu Fusca branco placa AIT-2479. Às 4h, disse ele, já estavam vendo o conta-giros da carocha trabalhando.

Não sei como foi a viagem deles, mas imagino que a região de Londrina e depois os Campos Gerais do Paraná, a essa hora da madrugada, ainda com o orvalho da noite, deviam proporcionar belas paisagens. O vento entrando pela frestinha da janela e o ronco do motor deviam completar o clima viageiro. Quem sabe ainda um chimarrão ou um café recém-coado na garrafa térmica para esquentar…

Victor, seu copiloto e seu Fusca 78 chegaram em Curitiba por volta das 12h. Vieram para participar do evento. Vieram para encontrar outros fusqueiros. Vieram porque ter um Fusca é ter um carro que vive fazendo história.

E a história desse AIT é longa.

Victor Gutman e seu Fusca 78

Victor Gutman e seu Fusca 78

Um morador de Nova Esperança, cidade do interior do Paraná entre Maringá e Paranavaí, comprou o Fusca 1300 zero quilômetro. Depois de quatro meses, sem mais conseguir pagar as parcelas do financiamento que tinha feito, vendeu o carro para o tio de Victor. Passados alguns anos, esse mesmo tio deu o automóvel para seu pai (avô de Victor), que o usava para ir ao sítio várias vezes por semana. Lá, carregava o Fusca com sal, mato e até bezerro! Resultado: o besouro branco acabou sendo “extremamente mal-cuidado” (palavras do próprio Victor). “O Fusca era só o pó da gaita”, afirmou.

Quando tinha 13 anos (hoje em dia ele tem 19) e pediu o Fusca para o avô, que concordou em dá-lo quando irmão mais velho de Victor completasse 18 anos. A segunda condição foi que teriam que levá-los, ao avô e ao Fusca, até Florianópolis.

Quatro anos mais tarde, Victor já com 17 e o irmão com 18, começaram a reformar o carro, que continuava mal-conservado. Embora não dispusessem de muito dinheiro, conseguiram deixar o carro em bom estado e cumpriram com a segunda condição do combinado: levar o avô e o Fusca de Nova Esperança até Florianópolis, a 750km de distância.

No caminho, tiveram um problema com o regulador e a bateria, que foram trocados em Londrina. De lá até a capital catarinense, o Fusquinha rodou macio.

Para Victor, assim como para muitas outras pessoas, o seu Fusca é como se fosse da família. Não troca ele por nada no mundo.