Com a proximidade do Dia Mundial do Fusca, o Blog do Fusca não poderia ficar de fora. Para iniciar a comemoração do evento, conversamos com o fusqueiro Alexander Gromow, que criou a data em 1995.
Blog do Fusca: Como o Dia do Fusca é comemorado pelo Brasil? O que os fusqueiros podem esperar para 2011?
Alexander Gromow: O Dia Mundial do Fusca é uma data comemorativa voluntária. Quando uma data comemorativa voluntária é lançada, são dadas condições para que todos os interessados façam a sua comemoração da maneira como quiserem ou puderem. Não há uma coordenação central que decida quem vai fazer o que e como, porém, seguindo o que tem ocorrido até hoje, certamente irão ocorrer comemorações em várias cidades brasileiras.
Existe alguma integração entre os clubes de Fusca espalhados pelo país?
É comum ocorrer a integração, como já aconteceu em Brasília com o VW Boxer Club e demais clubes da região, que comemoraram a data em conjunto.
No caso do grandioso evento de Curitiba, a data escolhida foi o dia 26 de junho e será uma realização conjunta entre Rebuli Eventos Automotivos e Fusca Mania Clube de Curitiba, sob a condução do Otto K. Bisneto, com o apoio da Copava. Esta variação depende das possibilidades de cada clube conseguir espaço e patrocínio para realizar o evento.
Em Poços de Caldas, o Clube do Fusca tem a tradição de festejar o Dia Mundial do Fusca. Isto se repete em várias outras cidades brasileiras. Já em Lima, capital do Peru, quatro clubes que no ano passado realizaram no mesmo dia comemorações separadas este ano realizarão em conjunto, o que será um mega evento.
O importante é que sejam realizadas comemorações, independente de como elas sejam, pois a meta desta data é fomentar a conservação do Fusca e de sua interessantíssima história. Também neste evento, os Fuscas que participam recebem um trato e muitos são motivados a recuperar seus carros, prolongando a existência deles.

Qual é a importância do apoio das concessionárias para a realização das ações nessa data?
Como o Fusca já não é fabricado há anos, o eventual apoio – tanto da fábrica em São Bernardo do Campo como principalmente das concessionárias – se reveste de uma importância que remete à relevância deste carro para a própria marca, cedendo o seu nome e sendo a mola propulsora do sucesso da marca no mundo.
Em Curitiba, temos um exemplo importante considerando o contexto brasileiro, que é a Copava, cuja diretoria apoia as iniciativas ligadas ao Fusca e à Kombi. Eu mesmo tive a oportunidade de participar de um evento destes e de deixar registrado em vídeo o meu reconhecimento à Copava por seu importante apoio ao movimento preservacionista da marca VW na região (Clique aqui para assistir ao vídeo). Essa atitude ganha em importância quando se leva em conta que este tipo de apoio não é tão frequente considerando-se as demais concessionárias VW no Brasil.

Muitas pessoas utilizam o seu Fusca como um transporte alternativo apenas aos finais de semana ou em eventos especiais. Você acredita que o 22 de junho incentiva que essas pessoas saiam de casa com seu Fusca?
Sim, e aqui cabe um esclarecimento adicional. Como eu disse anteriormente, tanto faz como a comemoração seja feita, o importante é que ela seja feita. Sendo assim, há alguns anos a revista americana especializada em VW Volkswagen Trends ampliou o conceito do Dia Mundial do Fusca lançando a interessante alternativa: “Drive your VW Beetle to Work Day” (Dia de ir com o seu Fusca para o trabalho), e isto, obviamente, ganha uma importância maior nos anos em que 22 de junho cai no meio da semana. Para indicar que os carros estão participando deste tipo de comemoração eu sugiro que sejam afixados pequenos cartazes às vigias laterais traseiras dos Fuscas.
Desde 1995, quando foi criado o Dia Mundial do Fusca, quais foram os avanços conquistados pelos antigomobilistas no que diz respeito aos apoios?
A luta por apoio para a realização de eventos é uma constante que acompanha as tarefas quase que diárias dos dirigentes de clubes e de associações de automóveis antigos.
O interessante é notar que o evento em si continua a ser comemorado, agora em sua décima sexta edição, e que há comemoração em vários países. Isto demonstra que, apesar da constante dificuldade de se obter apoio, a vontade de realizar o evento não esmoreceu e está perpetuando a data entre os Fuscamaníacos em todo o mundo.
De que forma o senhor se envolveu com a criação do Dia Mundial do Fusca em Bad Camberg?
A ideia de lançar o Dia Mundial do Fusca surgiu quando eu participei pela primeira vez do evento de Bad Camberg, no ano de 1991, quando o saudoso o criador e organizador deste evento, Heinz Willy Lottermann, me convidou para falar durante o jantar de congraçamento. Nesta oportunidade, relatei a existência da bem sucedida comemoração do Dia Nacional do Fusca no Brasil e lancei a ideia de se estabelecer um Dia Mundial. Esta ideia foi aprovada por aclamação pelos participantes.
Seguiu-se um trabalho para a harmonização da data, que foi realizado numa época em que a Internet ainda não existia. Na época, eu era o presidente do Fusca Clube do Brasil e editava o boletim informativo A Bananinha (apelido das setas direcionais dos Fuscas mais antigos). Como eu redigia este boletim em português e inglês, e como o boletim era enviado a clubes do exterior, foi possível usar a plataforma do boletim – especificamente a coluna “Palavra do Presidente” – para ir harmonizando os detalhes do Dia Mundial com os demais clubes que respondiam por carta.
Qual foi o seu primeiro contato com um fusca?
Aqui eu tenho que voltar no tempo até a década de 1950, em Porto Alegre. Foi lá que eu andei pela primeira vez num Fusca que pertencia ao chefe do meu pai, o Dr. Leicher. Ainda era um Fusca de duas janelinhas e eu gostava muito de andar no bagagito.

Quantos fuscas já passaram pela sua vida?
Eu tenho um só Fusca desde 1970. Como morador de um apartamento em São Paulo, o problema maior é onde guardar carros de coleção, daí o fato de eu não ter mais exemplares. Porém, o que vale no caso não é a quantidade de carros, mas o que eu, com muito orgulho, posso apresentar como sendo o meu vasto currículo no campo da Fuscamania, que inclui eu ter escrito dois livros. Um com a história brasileira do carro mais popular do mundo – com um capítulo sobre o VW Brasília – e outro com uma compilação de causos de felizes proprietários de Fusca. Com isto fica demonstrado que, no meu caso, o trabalho em prol do Fusca independe da quantidade de Fuscas que tenho, mas que na verdade é uma questão de idealismo, pesquisa e trabalho realizado com afinco.